O que é Harmonia Negativa?

Harmonia negativa
Fala músico!
Aqui é Ramon Tessmann, diretamente do mundo invertido, para trazer a você um assunto mega-super-hiper-mega-ultra-power insólito e complexo da teoria musical.
Vou tentar abrir um pequeno portal para uma dimensão paralela e tentar elucidar minimamente um assunto que está em alta no cenário musical mundial.
“Podem rufar os tambores porque…”
Hoje vou falar de HARMONIA NEGATIVA!
(Som de aplausos intensos ao fundo)
Aplausos
“Até que enfim, Ramon! Já estava na hora de você falar da HN, uma das grandes forças do universo!”
Calma lá, pessoal…
Eu sei que tem muita gente querendo saber mais sobre essa tal de Harmonia Negativa (ou Harmonia Invertida, ou Harmonia Simétrica). Mas é importante segurarmos a adrenalina e acalmarmos os ânimos para não prejudicar o raciocínio.
Acredite, você vai precisar 🙂
No final do artigo, depois de você compreender bem os conceitos aqui apresentados voltamos a vibrar juntos, combinado?
Nesse artigo, entre outras informações, vou tentar responder (não de forma definitiva) algumas dúvidas:

  • O que é Harmonia Negativa?
  • Como posso aplicar conceitos tão avançados na prática?
  • Por que se fala tanto em Harmonia Negativa hoje em dia?
  • Por que o assunto está na moda?
  • Quem está envolvido nas discussões sobre Harmonia Negativa?

PS 1: alguns conceitos aqui poderão “explodir cabeças”. Recomendo precaução. Menores de 18 anos (no estudo de música) devem estar acompanhados dos pais (professores).
PSDustin 2: tô me sentindo divertido, portanto um pouco de humor pode ser usado como alívio cômico para tratarmos de um assunto tão “dramático”. Hoje eu me chamo Dustin.
PS 3: jamais terei a pretensão de esgotar qualquer assunto nesse artigo. Muito pelo contrário! Já gastei alguns neurônios tentando me aprofundar no tema, portanto estou aberto a receber auxílio da comunidade para melhorar esse artigo (pois certamente ele vai precisar de melhorias). O fato é que eu escrevi sobre Harmonia Negativa mais para aprender do que para ensinar. E você ganha de presente minhas reflexões em formato de artigo.
PS 4: eu prometo lançar alguns vídeos explicando o assunto e dando alguns exemplos práticos. Quem sabe não sai um curso sobre Harmonia Negativa aqui no Aprenda Piano? Seria demais. Vou pensar no assunto (depois de muito estudar, é claro).
Enquanto esse dia não chega:

Tudo preparado? Sim?
Então, vamos começar a jornada!

A hype da Harmonia Negativa

Jacob collier - Harmonia Negativa
Boa parte do “só se fala nisso” no que tange a Harmonia Negativa foi causada por Jacob Collier. Se você ainda não o conhece, Jacob é um jovem músico britânico que tem chamado a atenção por sua forma de abordar harmonia e criar arranjos.
É considerado um gênio por muitos (eu, incluindo), mesmo não sendo unanimidade (como qualquer gênio nunca seria). Os dois Grammy Awards que ele ganhou aos 22 anos são provas de que ele é, no mínimo, um músico diferenciado.
Mas, vamos em frente…
Há um tempo atrás, Jacob mencionou a tal da Harmonia Negativa e alguns conceitos referenciados no livro Theory of Harmony do pianista e estudioso suíço Ernst Levy (1895 – 1981).
As menções ocorreram em uma discussão com Herbie Hancock e depois em uma entrevista postada no Youtube, que viralizou rapidamente. Assistindo a entrevista, eu tinha a sensação de que para Jacob o tema Harmonia Negativa era tão simples quanto preparar Nissin Miojo de Galinha Caipira.
Põe água, joga o “tijolão” na panela, mistura o pó e 3 minutos depois… PRONTO!
Dê uma olhada no vídeo:
[su_youtube url=”ttps://www.youtube.com/watch?v=DnBr070vcNE&t=99s” width=”760″]
Como você pode perceber, fica claro que Harmonia Negativa não é nada como Nissin Miojo. Conhecer Harmonia Negativa abre muito mais possibilidades e ideias na hora de compor músicas, arranjos, harmonias entre outros. É como se fosse uma nova e poderosa ferramenta de criação musical, isso na experiência pessoal do Jacob Collier.
Nas palavras dele: “Isso é épico. Soa maravilhoso e aconchegante”.
Mas até aí, poderia ser mais um dia comum no mundo da música não fosse o fato de o assunto ter sido o estopim de diversas discussões que eclodiram rapidamente na internet. O mistério foi crescendo à medida que as pessoas pesquisavam sobre o assunto e não encontravam quase nada escrito sobre o tema (inteligível ou não).
PS: conforme os dias passam, mais materiais sobre o tema são produzidos. Se você encontrar algo, me avise. Ficarei agradecido.
Mas enfim, a maioria dos comentários no vídeo resumia-se a:
“O quê é isso? Não entendi nada! Ele tá falando grego?”
Dê uma olhada em outros comentários:
Harmonia negativa discussoes
Você pode entrar no vídeo e se deliciar com os comentários postados. Alguns são hilários.
Mas é claro que em “ondas” e “novidades” desse porte sempre há céticos dizendo:
Donald trumb“Ah, isso é mais uma modinha”.
“Ele não falou nada de mais”.
“Isso não existe, ninguém fala disso”.
“Mais uma hype… não caiam nessa!”.

Será?
Bem, certamente a Harmonia Negativa não tem nada a ver com esquemas de pirâmide financeira ou com algum tipo de hot dog gourmet.
Respeito todas as opiniões contrárias, mas é um assunto que considero fantástico, ou no mínimo, empolgante.
Para mim, tem muito mais frango nessa sopa. Mas, afinal, em discussões de gênios quem sou para opinar?
Por ora, só quero ser o escrivão relatando o que consigo compreender.
Isso nos leva às primeiras ressalvas:

Ressalvas

Duvidas harmonia negativa
Antes de irmos para a teoria propriamente dita, preciso fazer algumas ressalvas.
A primeira delas tem a ver com a nomenclatura. Alguns músicos não concordam com o uso do termo “negativa”, porque isso seria criar mais um nome para algo que já existe.
O termo correto seria “invertida”. Então, em vez de “Escala Negativa”, o correto seria “Escala Invertida“. Ou quem sabe, Harmonia Negativa deveria se chamar “Harmonia Simétrica“.
Mas, sinceramente, não estou com saco para tecnicalidades hoje… 🙂
Pessoalmente, curto muito mais o termo “Negativa”, que é mais comum e traz esse ar misterioso dos mundos paralelos, buracos negros, matéria escura e afins. Sei que laranjas não são limões, mas pelo menos essa nomenclatura ativa a minha curiosidade.
Pronto! Tá decidido…Yes
Aqui no Aprenda Piano vamos usar o termo “Negativa”.
Isso nos leva a segunda ressalva: o termo não remete a algo necessariamente ruim, tipo como quando o gerente do banco liga pra pessoa e diz que a conta está negativa. Nada disso!
É só mais um sinônimo parcial para o termo “invertido”, dentro desse assunto específico.
Dito isso, chegou a hora de entrarmos no “mundo invertido”.
Aperte os cintos!

Harmonia Negativa: aspecto melódico

Melodia negativa
Essas ideias avançadas (da Harmonia Negativa) fazem parte de uma teoria chamada Teoria Funcional da Polaridade Tonal.
“Whaaaaaaaat? Que raios é isso?”
Bem, se você já conhece os conteúdos e cursos do Aprenda Piano sabe que nossa especialidade é a capacidade de explicar assuntos complexos de forma simples.
Da mesma forma, meu objetivo aqui é tornar o assunto digerível. Então, em vez de encher você com explicações maçantes, vamos caminhando passo a passo, da forma mais prática possível.
Vamos começar com a estrutura da Escala Maior que já conhecemos. Como já ensinamos em outros conteúdos, a construção da Escala Maior tem a fórmula abaixo:

Tom semitom escala maior

Se formos construir a Escala Maior de C, ficaria assim:

Escala de do formula

É importante compreendermos que cada nota tem o seu valor dentro da sua escala e tonalidade.
Também é importante sabermos que o intervalo de quinta justa é de suma importância para o que estamos estudando.
Se estamos na Escala de C, o intervalo abaixo é o mais importante para nós agora:
Intervalo de quinta justa
Ao tocarmos esse intervalo é como se as duas notas soassem unidas, ou melhor, fundidas, como se fossem uma coisa só. E é bem no meio desse intervalo que encontramos o eixo, onde vamos “posicionar o espelho” (Eb/E). Mas vamos falar disso mais à frente.
Por ora, vamos considerar essa nota (sol) nosso ponto de partida para o “mundo invertido” (assim como dó é a partida para o mundo positivo). Partiremos da nota sol, em movimento descendente, para encontrar a “escala espelhada” de C, entitulada Escala Maior Negativa de G.
Confuso
Por que descer em vez de subir?
Lembre-se: positivo e negativo são opostos. Se a escala positiva sobe (do grave para o agudo), a escala negativa desce (do agudo para o grave).
Se a Escala Maior de C se constrói subindo, a Escala Maior Negativa de G se constrói descendo, usando a mesma fórmula da construção da Escala Maior.
Então, chegou a hora de espelharmos a escala para ver o que acontece:

Espelhando a Escala Maior de C

Mundo invertido harmonia invertida
Vamos identificar nota por nota em movimento descendente usando a fórmula T – T – ST – T – T – T – ST (invertida) para encontrar a escala espelhada de C ou G Negativa. Para isso, vamos começar pelo Tom Gerador, a nota sol:
Escala de sol negativa
Essa é a famosa escala espelhada de dó, no mundo negativo.
Note que comecei da direita para a esquerda, começando pelo sol (mais agudo) e terminando no sol (mais grave).
Tudo certo até aqui?
Antes de prosseguirmos, quero lançar luz sobre o termo Tom Gerador pela primeira vez aqui no artigo.

Tom Gerador

Tom gerador
O Tom Gerador nada mais é do que o tom que dá o start na formação da escala. Na Escala Maior de C, o Tom Gerador é a tônica dó. Isso é o que ocorre no “mundo positivo”.
No “mundo negativo”, o Tom Gerador é o sol, que é a nota dó na polaridade invertida. Por isso é que a escala originada desse Tom Gerador é chamada de G Negativa. Mas reforço que a tônica continua sendo o dó, a 5ª abaixo, pois nosso ouvido percebe o dó como tônica, no intervalo dó-sol. O sol será apenas o Tom Gerador.
Dica do Ramon: Como a tônica continua sendo dó, não seria interessante chamar a escala originada de G Frígio ou Eb Jônio para não haver confusão com os graus da escala e a Polaridade Funcional.
Por exemplo: na Escala Maior de C, o grau 7º é o si. Já na G Negativa, o grau 7º é o láb. Então, si está para dó (no mundo positivo) como láb está para sol (no mundo negativo). A Polaridade Funcional que “empurra” o si para o dó é a mesma que “empurra” o láb para o sol.
Elas têm o mesmo efeito de gravidade só que em polaridades opostas.
“Peraí… você disse gravidade?”
Veja:
Polaridade tonal gravidade harmonia negativa
Só decidi fazer essa observação para que não haja confusão com relação aos graus, algo muito importante nessa matéria.

Espelhando uma Melodia

Espelhar melodia negativa
Com todas essas informações em mãos, você pode tocar qualquer melodia “espelhada” no mundo negativo. Basta usar os graus relacionados.
Por exemplo: se no mundo positivo a melodia é dó – ré – mi, no mundo negativo a melodia será sol – fá – mib. Isso porque estamos falando dos graus 1, 2, e 3 da escala de dó, que no espelhamento ficaria sol – fá – mib. Lembra que o Tom Gerador é sol? Por isso, partimos do sol quando estamos no mundo invertido.
Interessante, não?
Veja como ficariam as primeiras notas do Parabéns para Você em polaridades opostas:
Parabens pra voce melodia negativa
Toque aí no seu instrumento para sentir a sonoridade. Perceba como a melodia produzida no mundo negativo fica meio dark.
Reforço que todos os movimentos são contrários, por isso, tudo é “espelhado”. Enquanto os graus no mundo positivo sobem, no negativo descem. Um conceito bem complexo para qualquer pessoa assimilar no início…
… mas já que estamos aqui, vamos afundar o pé na jaca.
É importante você estar familiarizado com o aspecto melódico antes de ir para o aspecto harmônico, que será um pouco mais complexo.
“Misericórdia!”

Harmonia Negativa: aspecto harmônico

Harmonia funcional

Construindo o Campo Harmônico Negativo

Agora chegou a hora de trabalharmos com o aspecto harmônico.
Se você for construir os acordes do Campo Harmônico de C, em tríades, você chegaria a:
Campo harmonico de c
Provavelmente, você já deve saber construir os Campos Harmônicos tradicionais, mas antes de avançarmos no aspecto harmônico no mundo negativo, preciso te apresentar a dois conceitos bem inusitados:

  1. Adaptação Telúrica: nesse formato você constrói e nomeia os acordes de “baixo para cima”, como no mundo positivo. Em minha opinião, essa opção é mais fácil de compreender o acorde, pois já conhecemos sua escrita.
  2. Concepção Absoluta: aqui, se constrói os acordes de forma descendente, do alto para baixo, criando uma nova forma de cifrar (-G, -Fm, -Ebm…). Em minha humilde opinião, esse caminho é mais complicado, apesar de ter sua função.
Confusa
Basicamente, na Adaptação Telúrica você vai ter como base a nota mais grave e na Concepção Absoluta, a nota mais aguda.
Por exemplo, para acharmos o acorde I negativo, vamos partir do Tom Gerador, usando os mesmos intervalos de terças do mundo positivo.
Pegando novamente a escala espelhada:

Escala g negativa
O acorde I seria a tríade: sol – mib – dó, ou seja, os graus 1, 3 e 5 da escala negativa.
Na Adaptação Telúrica, o acorde é chamado de Cm. Já na Concepção Absoluta, é o G Maior Negativo, ou G Negativo (-G).
Preste atenção:
Adaptacao telurica concepcao absoluta
“Ramon, meu cérebro está fritando!”
Calma, vamos montar outro acorde a seguir. Que tal o acorde V?
Basta pegar o 5º grau, que é o Tom Gerador, e descer em terças, como no mundo positivo. Ficaria assim:
C negativo
Na Adaptação Telúrica, esse é o famoso Fm.
Na Concepção Absoluta, é “simplesmente” o -C (C Negativo).
É importante perceber que os acordes maiores espelham acordes menores e os acordes menores espelham acordes maiores.
Observe:

Com essas explicações, (eu espero) fica mais fácil construirmos uma planilha com todos os Campos Harmônicos Positivos e Negativos para quando precisarmos criar um arranjo ou rearmonizarmos uma música.
Dica: toque os acordes do CH Negativo (da direita para a esquerda) para sentir a sonoridade:

PS: Escreva nos comentários o que você achou do que ouviu, porque assim podemos debater o assunto…

Um Atalho para Acordes Negativos

Atalho harmonia negativa
Caso você ache muito complicado achar os acordes negativos, vou apresentar um outro caminho, que um usuário do Quora escreveu em um fórum. Infelizmente, não encontrei mais o nome dele para referenciá-lo (se alguém souber me avise).
Então, aqui embaixo vai o caminho que ele apresentou para você produzir um acorde negativo.
Na tonalidade de C:

  1. Encontre a tônica (C) e depois a dominante (G).
  2. Encontre a nota do meio (no caso, mib {negativo} / mi {positivo}). Esse é o eixo central de simetria em C (veja imagem abaixo).
  3. Se você subir 1/2 tom chegará a fá. Se descer 1/2 tom chegará a ré.
  4. A contrapartida simétrica de fá é ré. A contrapartida de fá# é réb e assim por diante.
  5. Agora pegue qualquer acorde da escala (G7, exemplo). As notas de G7 são: sol – si – ré – fá. Correto?
  6. Agora ache as contrapartidas simétricas partindo do eixo: dó – láb – fá – ré.
  7. Agora é só dar nome ao acorde: Fm6 ou Dø.
Polaridade notas

 
Resumindo: o G7 é o Fm6 na Harmonia Negativa. Então, você conta com mais uma alternativa na hora de criar seu arranjo para cada acorde dado.
Em vez de ter uma Cadência Perfeita você pode optar por uma Cadência Plagal, apenas invertendo a polaridade do acorde.
Veja:
Cadencia perfeita plagal
Interessante, não?
Agora analise a sequência abaixo:
Harmonia negativa polaridadesCada acorde no “mundo positivo” tem um acorde invertido no “mundo negativo”, que pode ser substituído quando possível ou desejável.
Um outro exemplo que encontrei em minhas pesquisas:
Acordes negativosAgora é sua vez de ficar “brincando” com esses novos acordes e testá-los em seus arranjos.
Cerebro explodindo
DICA: Quando a melodia permitir, troque o acorde positivo pelo negativo e sinta a sonoridade. Dependendo da sensação que você quer produzir no ouvinte um acorde negativo será muito mais atrativo 😉
Você vai se surpreender com as novas possibilidades que abrirão bem em sua frente.

Concluindo… ou não!

Cinto de seguranca
UFA….!
Chegou a hora de retornarmos do mundo invertido… tudo bem com você? Pode soltar o cinto de segurança e soltar a respiração. 🙂
Preste atenção:
Como eu já deixei bem claro, o tema Harmonia Negativa é um tanto misterioso que irá gerar muitos debates pela frente. É um modo contraintuitivo de pensar a música.Sinal da cruz
Para muitos, visitar esse “mundo invertido” vai ser uma aventura e tanto.
Para aqueles não tão empolgados, vai ser no mínimo interessante aprender mais uma ferramenta para expandir suas ideias.
Antes de ir embora eu quero deixar uma promessa: eu prometo que vou escrever e gravar vídeos mostrando como tudo isso pode ser aplicado na prática. Caso você prometa que vai deixar um comentário aqui embaixo, é claro…
Prepare-se porque os próximos capítulos dessa saga serão ainda mais divertidos.
Enquanto os próximos conteúdos não chegam, reforço que você:

Dessa forma você não corre o risco de perder os próximos conteúdos. Em breve eu volto para mais uma emocionante jornada…
Deus te abençoe,
Ramon Tessmann

Fontes usadas no artigo:

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